[Resenha] Extraordinárias - Mulheres que revolucionaram o Brasil, Duda Porto de Souza e Aryane Cararo

Título: Extraordinárias – Mulheres que revolucionaram o Brasil
Autoras: Duda Porto de Souza e Aryane Cararo
Editora: Companhia das Letras | Selo: Seguinte (cortesia)
Páginas: 208
Onde comprar: Amazon

Tenho todas as razões para amar esse livro, porque dele nasceu a ideia de mostrar aos meus alunos que as mulheres também podem revolucionar. Demonstrar isso por meio de uma leitura tão significativa possibilita ampliar os horizontes de pessoinhas com desejos de quebrar tabus sociais.

Não tão raro encontrar livros hoje que falem sobre os movimentos feministas e a revolução traçada pelas mulheres no meio literário. Donas de si e de um século que veio para quebrar estigmas sociais, em Extraordinárias- Mulheres que revolucionaram o Brasil, adentramos na biografia de cinquenta mulheres que tornaram o nosso país, um lugar melhor. Lançado pela editora seguinte, a obra muito bem escrita, mesmo que resumida, busca traçar um panorama geral sobre a importância de cada uma delas.

Você conhece o significado da palavra "revolucionária"? Pelo dicionário informal, um dos sentidos para definir esse adjetivos seria: "pela criatividade, originalidade, ousadia; capaz de ocasionar mudanças em normas preestabelecidas; inovador." Nessa obra, que não se distancia de outras leituras sobre o feminino, nós conhecemos mulheres que com a sua ousadia e talento transformaram o seu mundo e o das pessoas à sua volta.


De forma geral, somos apresentados sobre um período da história difícil para as mulheres e os preconceitos enfrentados por elas e pela geração seguinte. Seria conveniente chamar de "maldição social" todo o caminho que temos que tecer, até nós tornar respeitadas? Sim e Não. "Cada figura feminina posta no livro celebra as diferentes áreas de atuação da arte, medicina, da luta pela escravidão...".

Nesse texto, convém citar algumas mulheres destas, que tem a minha admiração. Vale lembrar que não tiro o mérito das outras, mas a minha escolha se deu pela lembrança de tê-las estudado durante o meu período escolar.

Como não lembrar da Princesa Isabel? Mulher responsável pela libertação dos escravos, a partir da assinatura da lei Áurea.  Esse é mais um lembrete de um país em que a diversidade "mandou lembrança" e ninguém é 100% puro sangue de uma única cor, mas a mistura delas.  No século vivido pela princesa, a educação era algo exclusivo para os garotos, como a própria obra lembra:

" Em vez de se dedicar às "prendas domésticas", essa princesa do século XIX recebeu a mesma educação que era destinada aos garotos. Ela também foi a primeira mulher a exercer, como regente do império, o cargo de chefe do de Estado na América Latina, e assinou a lei que aboliu definitivamente a escravatura no Brasil, em 13 de Maio de 1888." 
Em sua lápide nós lemos " Sofri e Chorei". Chiquinha Gonzaga enfrentou o preconceito sob circunstâncias patriarcais, se separou e foi afastada dos filhos porque seu marido não deixara ela exercer aquilo que mais amava: tocar piano e elaborar pelas composições. Ademais, o Brasil ganhou sua primeira maestrina que ultrapassava os limites e ideais sociais.

" Mulher sem preconceitos de raça, gênero ou ritmo musical e que prezava pela liberdade-amorosa, financeira..."

Para quem diz que futebol é "coisa de menino" desconhecem este nome Marta Vieira. No seu sangue, corre a paixão por esse esporte. Considerada várias vezes pela Fifa como a melhor do mundo entre 2006 e 2011. Como se não fosse pouco, ela é a maior artilheira em copas do Mundo de futebol feminino. E se a colocássemos no meio masculino? Com certeza ganharia. Marta inspira meninas humildes a chegarem tão alto quanto chegou, principalmente quando se vem de uma terra tão seca quanto o sertão de Alagoas.

"Me chamavam de mulher-macho. Muito preconceito. Cidade do interior, todo mundo te conhece. E naquela época meninas nunca jogavam bola."
Essas mulheres revolucionaram sua cidade natal e ficaram conhecidas no mundo inteiro. Esses trechos demonstram que antes do sucesso, elas tiveram que enfrentar um preconceito absurdo que sempre persistiu em uma sociedade patriarcal, em que "lugar de mulher é na cozinha". Não há mais como ouvir esses absurdos e nem mesmo deixar que ondas preconceituosas se alastrem no século XXI. 


Todas as mulheres trazidas no livro são exemplos vivos sobre o quanto o movimento feminista buscou lutar pelos direitos à igualdade. A luta continua, e seguimos firmes nos inspirando em mulheres que, em cada século, revolucionaram por sua passagem.

O livro como um todo tem uma edição belíssima, como imagens que nos enchem os olhos. A revisão e diagramação são de qualidade. Apesar de tudo, senti falta de um aprofundamento maior no quesito: biografia; mesmo que fosse um apanhado geral, conhecemos superficialmente essas mulheres. A ideia poderia ter ficado ainda melhor se reduzissem os números (de mulheres escolhidas) para falar ainda mais de cada uma delas. 

Deixo aqui a minha recomendação à todas as mulheres que desejam conhecer as revolucionárias do nosso país, do mesmo modo se inspirar nelas. Essa obra é um tesouro que não pode ficar escondido na estante. Precisamos passar a frente.

Classificação:

4 comentários

  1. Um livro mais do que especial!!
    Eu amei demais esse trabalho, e que primor, em todas as paginas eu percebi que teve muita dedicacao e carinho pra prepara-lo.
    Amei que sao coloridas e que a arte ficou tao fiel as mulheres representadas.
    Com certeza um livro que deveria ser lidos por todos para saber a força que temos. bEIJOS.

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  2. Olá,

    Confesso que foram poucos os livros que li sobre feminismo, no entanto esse livro me atrai bastante, pois é uma forma de conhecer a história de mulheres incríveis de uma forma mais leve. Além de, essa edição é um sonho, fico babando sempre que a vejo nas livrarias.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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  3. Olá!
    Vejo ótimos comentários sobre essa obra e o fato de trazer tantos nomes importante e que fizeram de certa forma alguma diferença. Mulheres que lutaram por seus ideais.
    Legal saber que serve de inspiração para os mais jovens e sinceramente acho que deveria mesmo ser trabalhado em sala de aula, enriqueceria e muito além de trazer bons temas para os jovens debaterem.
    A edição está um primor e quero poder conhecer em algum momento.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  4. Oi Bru, tenho só uma ressalva, no que diz respeito a princesa Isabel, por muitos ela é vsta como a salvadora e tal, quando na verdade não foi bem isso, o Brasil foi o último país a se ver livre da escravidão, e quando isso aconteceu, os escravos foram libertos sem qualquer tipo de suporte, livres porém sem casa, sem comida, sem estrutura, livres porém presos aos seus antigos donos ainda, isso é bastante triste. Ainda assim, ela foi uma figura importante para que a escravidão finalmente acabasse, afinal, ela quem assinou, né?
    Quanto ao livro, eu sou apaixonada por essa edição, de verdade, o trabalho gráfico é sensacional e acho bacana que tenham focado em mulheres brasileiras, porque de certo modo, valorizamos ainda mais as nossas figuras femininas.

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