[Resenha] Corações nas sombras - Presságios de Guerra, Allan Francis - Coleção Mundo Fantástico #1


Título: Corações nas sombras – Presságios de Guerra
Série: Coleção Mundo Fantástico #1
Autor: Allan Francis (cortesia)
Editora: Chiado
Páginas: 736
Onde comprar: Amazon

"A guerra cobra seus maiores tributos dos mais inocentes - pensou."

Corações nas sombras – Presságios da Guerra é o primeiro volume de Coleção Mundo Fantástico e o primeiro livro que leio escrito pelo Allan Francis, um renomado autor nacional de fantasia.

O autor entrou em contato comigo há um tempo, pois havia lido um comentário meu em uma resenha e gostaria que eu fizesse a leitura. Sinceramente, fiquei receosa à época, pois, apesar de o livro ter uma proposta muito interessante, ele é um calhamaço e, em meio a tantas leituras, estava com medo de não dar conta desta, mas me arrisquei e estou aqui, hoje, para apresentar minhas impressões para vocês.

O livro nos embarca em uma jornada através de Ifíanor, seus diversos reinos e raças, com uma carta enviada por Sindara e uma narrativa em terceira pessoa apresentando a perspectiva de diversos personagens, o leitor é enviado para o passado e presenteado com uma história sobre a guerra que está sendo travada entre orgs, elfos, humanos, magos e outros seres e como Sindara está longe de seu grande amado.

A história irá, então, apresentar, a cada capítulo, um grupo de personagens diferentes que nos mostram aos poucos diversos acontecimentos e que fazem parte de uma grande trama que será trançada aos poucos. Temos, por exemplo, a história do Castelo de Dankar, onde um dos talismãs de Ifíanor está guardado, que é invadido e o talismã roubado. A guardiã desse talismã, feiticeira Selene, é vítima de uma poderosa magia negra e parte, então, em busca da cura do mal que lhe aflige e do talismã roubado.

O invasor e ladrão do talismã é Tanor e isso não é um spoiler, pois é apresentado logo no primeiro capítulo e ele tem uma atitude hedionda que me incomodou muito. Os demais capítulos vão criando, então, toda a trama e deixando o leitor curioso para o que vai acontecer.

Diferente do que havia imaginado com a resenha que li, não me senti envolvida por esses personagens e pela narrativa. Ele é interessante e o universo criado pelo Allan é fascinante, não nego, mas acho que o autor se prolongou em algumas situações que não eram necessárias. Eu precisei reler algumas partes, pois não conseguia me conectar à história e, portanto, me perdia e divagava por outros acontecimentos externos. Então, infelizmente, a leitura demorou bastante tempo, uma vez que eu lia umas 10/30 páginas por dia e me cansava.

Acredito que o principal fator para isso acontecer foi a quantidade assombrosa de personagens e seres mágicos, isso virou um bolo bastante grande na minha mente. Mesmo fazendo uma espécie de “mapa” sobre os personagens e sua importância na obra, ainda não consigo falar sobre eles um por um, mas, não posso negar, a construção deles foi fascinante.


No entanto, apesar de ter tido problemas com relação a leitura e ao extenso número de personagens, tenho que confessar que tiro meu chapéu para o Allan e o universo que ele criou – como disse anteriormente – foram trabalhadas questões que muitos autores de fantasia não ligam muito tais como: economia, religião e, até, tecnologia. A forma como ele explorou esses pontos foi o que me fez seguir em frente nessa leitura.

Outro ponto extremamente positivo e que fez valer a pena todos os dias que me dediquei a essa leitura foi o final. O autor, no decorrer do livro, deixou algumas pontas abertas, mas, ao final, me maravilhei quando vi tudo sendo amarrado e isso foi feito com bastante propriedade, então, sim, o autor sabia por quais águas estava navegando e não se perdeu em momento algum.

Por fim, acredito que Corações nas sombras – Presságios de Guerra é um livro de fantasia que agradará muitos leitores do gênero, mas que precisa ser lido com dedicação e calma. É aquele típico livro que precisa ser degustado e não devorado. Talvez, por isso, eu tenha desgostado de algumas partes: por não ter me dedicado de corpo e alma a essa leitura. Gostaria, quando estiver de férias, de reler esse livro e comparar minhas novas impressões com as que escrevo agora. E, vocês, gostam de fantasia? O que acham desses universos repletos de personagens e questões sociais?

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