domingo, 13 de agosto de 2017

[Resenha] O Ceifador, Neal Shusterman - Scythe #1

Título: O Ceifador
Autor: Neal Shusterman
Série: Scythe #1
Editora: Seguinte (cortesia)
Páginas: 448
Onde comprar: Amazon 

“Primeiro mandamento: Matarás.”

O Ceifador, escrito por Neal Susterman e primeiro livro da série Scythe, nos apresenta a um mundo perfeito onde a humanidade superou todas suas dificuldades; fome, guerra, doença, miséria e até a morte. Entretanto, um mundo onde há apenas nascimento seria incabível e por conta disso criou-se A Ceifa, uma organização totalmente independente do governo que treina Ceifadores para coletar pessoas.

Citra e Rowan são os personagens extremamente diferentes. Enquanto ela vem de uma família que se preocupa, que vive bem, Rowan é a alface de um lanche, aquele para o qual ninguém dá bola e que vive fazendo loucuras, como se matar para ser revivido. A vida deles seria mantida do mesmo jeito, mas elas são cruzadas com o Honorável Ceifador Faraday e tudo muda. 
“Uma coisa era passar despercebido, outra completamente oposta era ser o alvo do ódio de toda a escola.”

Faraday bate à porta de Citra um belo dia e isso assusta toda a família, pois quer dizer apenas uma coisa: coleta. Um alerta se acende na mente da garota, mas ela, ao invés de temer e tratar com respeito Faraday, responde tudo o que o ceifador diz, o que causa certa apreensão em todos. O bom foi que ele não estava ali para coletar ninguém da casa dela, mas, sim, a vizinha. O ruim foi que Citra chamou a atenção dele.

A vida de Rowan se choca com a de Faraday na escola. Ele vê o Ceifador chegando e se assusta, mas mantém-se firme e até o ajuda a chegar onde gostaria. O que ele não esperava era que o Ceifador estaria lá para coletar um dos alunos e que isso faria com que ele fosse visto e julgado. Assim como Citra, Rowan não reage como todos esperam e confronta Faraday fazendo com que ele também se atente a esse jovem rapaz.


Após um tempo os dois são convidados para serem treinados para serem Ceifadores, mesmo eles nunca tendo ambicionado isso. O que motiva cada um é diferente do que poderíamos imaginar. Como será, então, que a história irá se desenrolar? 
“- Por que vamos competir por algo que nenhum de nós quer? – Citra perguntou.
- Aí está o paradoxo da profissão – Faraday disse . – A função não deve ser concedida aos que a desejam. São aqueles que mais se recusam a matar que devem exercê-la.”

Quando esse livro foi lançado todas as resenhas que li dele foram positivas e minhas expectativas ficaram lá em cima. Foi uma surpresa receber um pacote da Companhia das Letras e esse livro estar entre os três enviados. Fiquei extremamente alegre, mas aí bateu o receio. E se eu me decepcionasse? Todos os livros que eu estava lendo com as expectativas altas estavam me dando um banho de água fria. Mas, felizmente, não foi isso que aconteceu, contrariando todas as expectativas: O Ceifador me surpreendeu ainda mais.

O primeiro ponto alto desse livro são os personagens; fortes, inteligentes, determinados e amigos, eles se importam um com o outro. O segundo é o universo e sociedade criados pelo autor. Sério, gente, quem nunca pensou o quão incrível seria uma sociedade onde tudo fosse perfeito, onde não houvesse morte prematura, onde pudéssemos viver bem? Eu já pensei muito nisso, mas aí vem o ponto chave do livro; a vida não pode ser eterna. E isso foi muito bem trabalhado.

O terceiro ponto alto da história, para mim, ficou a cargo de como cada Ceifador se motiva para coletar. Faraday, por exemplo, coleta com base em estatísticas, o que nos faz pensar sobre como morremos. Já outra Ceifadora – minha preferida – coleta de acordo com o olhar dos humanos. Se ela os visse cansados ou assustados, os coletava, mesmo porque, muitas vezes, ela se sentia assim.

Por fim, o quarto ponto alto da história são as reviravoltas que acontecem. O autor trabalhou todas elas com muita maestria. Ele soube conduzir os personagens e o leitor pelo caminho que queria e, nossa senhora, ficou tudo incrível, pois faz a leitura ficar extremamente ágil, viciante e frenética.

Se eu precisasse levantar um ponto negativo seria o tanto que sofri com a morte de um personagem. Ela dilacerou meu coração e me fez chorar como uma bebê. Apesar disso eu não posso ressaltar como ponto negativo, pois, mais uma vez, foi uma questão muito bem trabalhada pelo Neal.


Enfim, é um livro completo em todos os sentidos e é impossível não recomendar essa leitura. Acho que está para ser escrito um livro mais incrível que esse, de verdade. 
“(...) sofrer a dor nos liberta para sentir o prazer de sermos humanos.”


Classificação:

3 comentários:

  1. Que resenha incrível Bruna! É contagiante poder ler sua empolgação com o livro, terei de o ler, deve ser uma leitura excepcional. Abração!

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  2. Oi tudo bem?
    Confesso que já havia lido algumas resenhas desse livro mas nenhuma tinha me deixado curiosa quanto a essa leitura, sua empolgação estava nítida na sua resenha e me deixou curiosa gosto de livros que vão além das expectativas e também que tem personagens fortes, espero que essa leitura me agrade também.

    Beijos

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  3. Ola
    Primeiramente, te entendo bem em relação a morte de um personagem. Eu gostei muito desse livro, e achei ótimo todos os elementos trabalhados, até sobre as partes dos diários, a determinação dos personagens, enfim.. suas impressões refletem bem as minhas próprias!
    Beijos,F

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